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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Louis Jean Joseph Charles Blanc (1811-1882)

Estadista, periodista, orador e político francês, Louis Blanc contribuiu para o desenvolvimento das cooperativas de trabalho, diferenciando-se de Bouchez; não se baseava na formação de grupos de produção para a pequena indústria ou artesanal, mas na criação de "estúdios sociais" para a grande indústria.
Advertiu que a criação desses locais de trabalho socializados requer grandes investimentos que não podem, segundo ele, vir da poupança dos trabalhadores; por isso apelava para o Estado que poria o sistema em movimento mediante empréstimos a serem pagos somente depois dos "estúdios" estarem estruturados e podendo se sustentar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Philippe Buchez (1796 - 1865)


Periodista, historiador e político francês, Philippe Buchez estabeleceu as bases das cooperativas de trabalho e, em particular daquelas vinculadas às pequenas indústrias ou artesanais.

Propôs que grupos de trabalhadores de um mesmo ofício ou profissão se ligassem voluntariamente entre si mediante um contrato e se transformassem em seus próprios patrões. Deveriam reunir em um determinado local suas ferramentas e utensílios de trabalho, contribuir com suas modestas economias, eleger livremente alguns associados para que se encarregassem da administração e representação da sociedade e, por fim, empreender a produção em comum.

Os trabalhadores receberiam um salário conforme normas estabelecidas e de acordo com sua habilidade individual. A sociedade, enquanto empresa, receberia os benefícios e os distribuiria da seguinte maneira: 80% para proporcionar eventuais socorros e a ser distribuído entre os associados proporcionalmente ao trabalho realizado; os outros 20%, para um fundo comum.

Esse fundo deveria ser “indivisível, indissolúvel e inalienável” e serviria para preservar a natureza desse tipo de entidade. Em caso de dissolução da sociedade, o fundo passaria integralmente a outra sociedade semelhante.

A obra prática de Buchez consistiu especialmente na organização de duas entidades que operaram nos ramos artesanais da marcenaria (1832) e joalheria (1834). Seu trabalho doutrinário alcançou considerável difusão e influência, pois soube caracterizar adequadamente as cooperativas de trabalho dando-lhes normas que se aplicam até hoje.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Guillermo King (1786 – 1865)

Médico da cidade de Brighton (Grã Bretanha), Guillermo King desenvolveu um interessante trabalho doutrinário e estimulou a organização de uma rede importante de entidades dedicadas a atividades de consumo.

Expôs suas idéias nos vinte e oito números do periódico mensal “O Cooperador”, que dirigiu de 1828 a 1830. Aconselhou aos trabalhadores se associarem em grupos, formarem um pequeno capital inicial mediante contribuições semanais e organizarem suas próprias empresas para abastecerem-se de bens de consumo pessoal e doméstico.

King fundou em 1827, em Brighton, uma entidade para distribuição de artigos de consumo e estimulou a criação de outras semelhantes. Rapidamente se organizaram perto de trezentas sociedades e, de 1831 a 1835, realizaram vários congressos na Grã Bretanha; contudo, a falta de normas que deveriam reger seu funcionamento, estas entidades não tiveram êxito.

King realçou a importância do esforço próprio dos associados para solucionar os problemas comuns, chamou a atenção da influência não só econômica, mas também espiritual do cooperativismo e aconselhou a criação de escolas que além de ensinar as necessárias noções econômicas, deveriam promover a transformação moral dos futuros cooperadores.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Charles Fourier (1772 - 1837)

François Marie Charles Fourier nasceu em Besançon, no dia 07 de abril de 1772 e morreu em Paris aos 10 dias de outubro de 1837. Socialista francês da primeira parte do século XIX, um dos pais do cooperativismo.



Não foi um homem de ação como Owen. Suas idéias, expostas em inúmeras obras, alcançaram considerável divulgação e foram aplicadas por muitos discípulos.


A solução dos problemas econômicos e sociais deveria ser procurada, segundo Fourier, mediante a associação de pessoas em grupos ou “falanges”, que habitariam em estabelecimentos chamados “falanstérios”.


Em cada uma dessas colônias autônomas, o consumo deveria realizar-se em comum, dentro do “palácio social” ou edifício central do falanstério. Também a produção se realizaria comunitariamente em terreno adjacente ao falanstério.


Fourier priorizou o trabalho no campo e propôs reduzir ao mínimo as atividades nas oficinas e escritórios. Além disso, procurou demonstrar que o trabalho deveria ser prazeroso e atraente; propôs que os ambientes de trabalho fossem limpos, organizados e agradáveis e que os associados se unissem voluntariamente em grupos de acordo com suas habilidades e afinidades. Os grupos podiam escolher suas tarefas preferidas e alterná-las frequentemente, entre si.


A influência dessas e de outras idéias de Fourier, pode ser confirmada através da fundação, poucos anos após sua morte, de aproximadamente 40 colônias fourieristas em diversas partes do mundo. Destaca-se a que promoveu, a partir de 1846, Andrés Godin, em Guisa, no nordeste da França.


Algumas dessas idéias resultaram, no mínimo extravagantes, outras progressistas, originais e outras anteciparam os princípios cooperativistas, tais como a associação voluntária e democrática através de empresas destinadas a satisfazer as necessidades de seus membros.


Essas idéias chegaram às Américas. Na América do Sul, destacamos o Falanstério do Saí, em Santa Catarina e a Colônia Cecília, no Paraná.









sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Robert Owen (1771-1858)


Filho de humildes artesãos de Gales (Grã Bretanha), Robert Owen começou como aprendiz e, rapidamente, tornou-se em um forte industrial têxtil.
Suas preocupações sociais o levaram a desenvolver uma obra muito ampla, da qual destacamos os seguintes aspectos:
a) Melhorou notavelmente as condições de trabalho dos assalariados em sua fábrica de New-Lanark (Escócia) e procurou influenciar os demais industriais para que seguissem seu modelo e aplicassem medidas análogas. Também trabalhou para que se aprovasse a lei inglesa de 1819, que limitava pela primeira vez, o trabalho das crianças.
b) Criou colônias autônomas, nas quais as pessoas associadas produziam e consumiam em comum; onde se estabelecia a remuneração de acordo com as necessidades e se assegurava a absoluta igualdade de seus componentes. Este modelo levado para os Estados Unidos (colônia New Harmony), em 1825, bem como entidades semelhantes organizadas no México, Inglaterra e Irlanda, sucumbiram ante diversas dificuldades.
c) Organizou, em Londres, uma "Bolsa de Intercâmbio de Trabalho" que buscava determinar o valor dos artigos com base no trabalho empregado (tempo, materiais e complexidade) para sua produção. Funcionou de 1832 a 1834 - pouco tempo.  Fundou em 1835, também em Londres, uma "Associação de todas as classes e de todas as nações". Serviu  de inspiração para que, em 1895, se criasse a atual Aliança Cooperativa Internacional.
Robert Owen figura, com justiça, entre os pais da cooperação moderna, pois contribuiu para a consagração de algumas de suas normas e motivou o povo a atuar de forma solidária. Cabe realçar que 06, dos 28 pioneiros que fundaram em 1844 a Cooperativa de Rochdale, foram influenciados pelas idéias de Robert Owen.